Arte Marcial

Os aspectos terapêuticos do Tai Chi Chuan renderam-lhe mundialmente grande popularidade. Por outro lado, nem todos sabem que se trata de um completo sistema de arte marcial chinesa (wushu) com toda uma fundamentação em termos de conduta ética, teoria, estratégia e técnicas de combate.

Cada movimento do Tai Chi Chuan é uma expressão de princípios marciais. Sendo parte integrante das artes marciais chinesas (wushu), é categorizado como um estilo interno de Kung Fu – que preza pelo trabalho sutil de desenvolvimento interno da energia – em contraste aos estilos externos que priorizam o condicionamento físico.

Todos os movimentos de ataque e defesa, de preparação e conclusão seguem um princípio energético propondo a fluidez natural. A ênfase em movimentos suaves e fluidos tem como objetivo aguçar a percepção do fluxo do Qì (energia vital) no corpo e o trabalho equilibrado das forças Yin e Yang. Em um segundo momento, também inclui movimentos rápidos e explosivos.

Filosoficamente, tanto no combate como em qualquer situação de vida, cada evento é visto como um fenômeno natural com o qual o praticante deve harmonizar-se, pois caso ofereça resistência, o embate de forças o levará à debilidade. Dentro do princípio de equilíbrio e fluidez natural, o combate marcial se baseia em um ritmo constante de fases Yin e Yang onde a força exercida pelo oponente é neutralizada através da suavidade e do centramento. Com essa atitude, as adversidades são transformadas em oportunidades. Para tal, o praticante preserva o seu centro de equilíbrio e mantém-se em um movimento de concordância com o fluxo externo.

Marco Moura