Meditação dinâmica

Considerado uma meditação em movimento, o Tai Chi é uma excelente prática de atenção plena ao corpo, desenvolvendo calma, equilíbrio e concentração

O treino da serenidade é integrante à prática do Tai Chi Chuan. Para termos pleno domínio do corpo, é necessário aprendermos a estabilizar a mente. Um estado mental agitado faz com que achemos monótono o ritmo lento da prática, faz com que estejamos mentalmente desconectados e, desse modo, impossibilitados de perseverar no caminho do Tai Chi que visa integrar corpo e mente.

No treinamento, procuramos sensibilizar a nossa percepção em relação ao pulsar energético que existe em nós mesmos em correspondência ao pulsar existente na natureza. Como ensinam os mestres, é assim que integramos a energia pessoal à energia primordial do Céu e da Terra, cuja interação encadeia uma pulsação rítmica de alternância entre os polos universais Yin e Yang. No desenrolar dos movimentos do Tai Chi, notamos um fluxo constante onde um gesto cadencia outro gesto, cada etapa Yin precede uma Yang e vice-versa, havendo uma comunicação constante entre alto e baixo, direita e esquerda, início e conclusão. Cada movimento perceptível é a convergência de outros movimentos menos evidentes que formam um resultante. Uma pressão ou um estirão em uma ponta gera uma resposta na outra ponta, pois todo o corpo é integrado. Nada fica isolado, há interdependência do começo ao fim. Permanecemos atentos a esse processo.

A prática regular é necessária para desenvolver a sincronia plena entre corpo e mente de modo que o corpo seja uma expressão autêntica da intenção mental (yi). Uma vez alcançado esse nível, o corpo todo responde à intenção mental de modo otimizado por meio de uma expressão corporal harmônica aliada ao equilíbrio postural. Ao se relaxar conscientemente, não é preciso gastar energia raciocinando nem tensionando o corpo, apenas deixando cada movimento fluir com naturalidade.

“Através da postura de abraçar o universo, rompem-se as barreiras do espaço.
O próprio ser humano se prende numa gaiola. Ele mesmo se enjaula.

Agora, na medida em que a pessoa fica na serenidade a partir da prática,
ela sente o quanto o espaço se amplia e caem as fronteiras (mentais que o confinavam).”
Mestre Liu Pai Lin